
Aqueles que me são mais próximos sabem que sou um aficionado do CD. Do disco em si, do inlet e da caixa que o arquiva. Tal como há os que o são pelo vinil, eu sou-o pelo CD. Mas não renego o mp3, nem deixo de o utilizar. Não sou um utilizador ávido do mp3, mas utilizo-o na base de, se gostar, posteriormente comprarei o CD. Acho-o um formato muito útil e que tem as suas vantagens, para além de desvantagens, claro. Mas não venho aqui escrever sobre o mp3 em si. Venho escrever sobre o processo de compra do próprio ficheiro áudio (e sublinho a palavra compra). Sim, porque a utilização legal do mp3 requer a sua compra, tal como acontece com os CDs. Obviamente que não é o que acontece na maioria dos casos. Mas o facto é que há pessoas que compram mp3. E eu ontém fiz, pela primeira vez, um download legal de um mp3 no famoso itunes Store. Não comprei, propriamente dito, os mp3. Antes, utilizei a promoção que se encontra na Blitz deste mês, onde oferecem 5 mp3 à nossa escolha para download gratuito. Registei-me no itunes e escolhi as 5 canções que queria descarregar. Findo a escolha, iniciou-se o processo de download. A este, já volto daqui a pouco.
Ao pesquisar pela loja, dei-me de caras com os preços dos álbuns praticados no itunes. E não pude ter outra reacção que não a de pensar que quem paga para um disco em mp3 é um grande cromo. Mas mesmo muito grande. Senão vejamos: um álbum em mp3 custa o módico preço de €9,99. Isto só para ter acesso ao mp3, um ficheiro de áudio comprimido e consequentemente com perda de qualidade. Se fosse em formato
Flac, a conversa já seria outra. Mas não. Estamos a falar de mp3. Ora, eu com €9,99 consigo comprar muitos CDs, e em muitos casos até fico com troco. Basta procurar. De hoje em dia, o preço dos CDs baixaram efectivamente. Os mais recentes não. Esses continuam a rondar os €17/€20. Preço demasiado caro, na minha opinião. Mas mesmo assim é possível encontrar CDs recentes a preços mais baratos que um álbum de mp3 no itunes. Por exemplo, eu comprei o último álbum dos The Strokes (
First Impressions of Earth), poucas semanas depois de ser lançado, pelo preço de €4,95. Novinho em folha. Como digo, existem CDs baratos. É preciso é procurar por eles.
Não terá muito mais lógica comprar um álbum em CD por preços que rondam (e muitas vezes mais baratos) os tais €9,99 que custa um álbum de mp3 no itunes? Claro que sim! Para além da música e do disco físico, têm direito a toda a embalagem em que vem o CD. E que são cada vez mais elaborados e com maior qualidade, precisamente para promovê-la como uma mais valia relativamente ao mp3.
Mesmo que o objectivo de uma pessoa seja precisamente o de não ter que andar com o CD para trás e para a frente, preferindo ter as canções em formato mp3 para se poder meter num ipod ou leitor minúsculo do género (também tenho um. Como digo, não sou contra o mp3), a compra e posse do álbum em CD não invalida tal coisa. Basta colocá-lo no leitor de qualquer PC ou portátil (com Windows XP, mas existem também vários programas que o fazem) e prontamente aparece a opção "Ripar música do CD", que mais não é do que a conversão dos ficheiros áudio do CD para ficheiros mp3. Assim, fica-se com a possibilidade de ter ambos os formatos pelo preço de um só (reafirmo, muitas vezes com um preço mais baixo do que um álbum no itunes). Existem algumas excepções que não permitem o
ripanço da álbum, pois estão protegidos com um sistema anti-cópia. Mas isso é contornável. Para além de a maioria dos CDs não trazerem esta característica.
Para os apologistas de comprar canções avulso, ao preço de €0,99 no itunes, isso já é outra questão. Pessoalmente, não gosto nem quero dissociar uma canção do contexto/obra onde ela está inserida. Mas respeito quem assim goste de ouvir música. Se bem que, caso as discotecas Portuguesas tivessem uma qualidade boa (e a larga maioria não tem), seria possível comprar canções avulso igualmente em formato CD, com os singles que são lançados pelas bandas e que infelizmente quase nunca chegam às prateleiras das lojas. Neste caso, eles não custam apenas €0,99. Custam um pouco mais, é certo. Mas têm a vantagem de trazer, na maioria das vezes, um Lado B, que mais não é do que uma canção nunca antes editado e geralmente disponível apenas e exclusivamente no Single. E depois, a história do
ripanço para mp3 serve também para este caso.
Voltando rapidamente atrás, aquando da minha experiência ao descarregar legalmente do site itunes, tenho a dizer que o processo de download de 5 ficheiros mp3 (com cerca de 4mb em média) demorou cerca de 2 horas (eu tenho uma ligação de 4mb, portanto bastante rápida), com infinitos problemas e erros a meio do processo (ver imagem), necessitando da minha parte, uma constante reiniciação do processo de descarga dos ficheiros. Para um site da especialidade e cujo negócio depende precisamente do processo de download de ficheiros, não creio que o serviço prestado seja de boa qualidade. Bem longe disso. E depois há sempre o pormenor (negativo) de estarmos sempre a contribuir para o gasto do limite de downloads internacionais que temos e que, regra geral, são muito baixos.
Reafirmo novamente. Não sou contra o mp3. Sou todo a favor quando ele funciona como um complemento ao CD ou ao Vinil. Agora quando se trata de adquirir por €9,99 um álbum em mp3 no itunes, não consigo pensar numa forma mais ignorante em como desperdiçar o dinheiro.
E porque haja quem o faça e
não são assim tão poucos, decidi escrever este texto. Para os que não compram o mp3, este texto não é para vocês :)
Ler artigo sobre Ripar CDs, aqui.